Mulher barbuda

Começou no meio do inverno. Quase todo dia, as duas passavam por mim, a caminho do escritório. A mãe carregava a bebê de frente, num canguru. No começo, a pequena chorava desesperadamente, afinal, ninguém estava feliz em tomar aquele frio de 0°C na cara. A mãe, vestida de executiva, tentava não se incomodar, mas era... Continue Reading →

Advertisements

Pão

“Menina, a coisa aqui está tão ruim que nem tenho vontade de sair de casa.” Lembro-me dessa frase do Chico, na última vez em que nos vimos, quando fui ao Brasil. Senti uma tristeza danada quando sai do bar em que nos encontramos. Ele era a gentileza em pessoa, um artista genial, de uma simplicidade... Continue Reading →

Narciso

Não tem um dia em que meus filhos não me olhem e me digam que estou bonita. Este fim de semana, por exemplo, eu estava de ressaca, na cama, no melhor estilo abandonada às traças e de novo eles vieram com essa história. Sempre tive muita dificuldade de aceitar elogios. Freud seguramente teria uma explicação,... Continue Reading →

Legado

Quando eu estava na universidade ouvia direto e reto histórias sobre a avó do Manuel. A gente sabia que ela era uma artista famosa, que era discípula de um outro artista famoso, mas o que a gente gostava mesmo, era do que ele contava dela. Havia um mito em torno dela. Compartilhávamos o prazer dele... Continue Reading →

No meio

Ando meio obcecada com histórias de pessoas que passam por experiências fora do corpo. Essa coisa de poder se olhar de fora, olhar o entorno sem sentir dor, enquanto navega solto no espaço, deve ser uma experiência inesquecível – ou no mínimo transformadora. Eu tive uma vez a experiência de olhar de fora e que... Continue Reading →

Senhora Esperança

Tenho uma colega de trabalho que é brasileira. O nome dela é Marcella. Marcella me contou que antes de trabalhar nesta empresa, ela costumava vender biquínis no inverno. Eu sei que a prática dessa história foi uma dureza danada pra ela, mas achei isso de uma poesia sem fim, uma forma concreta da esperança mesmo.... Continue Reading →

Um vazio no ninho

Semana passada uma amiga me mandou este trabalho "Invisíveis" (2018) do Jaume Plensa. Imediatamente me veio uma vontade de voltar a um texto que escrevi no ano passado, quando estava naquela batalha interna e externa sobre voltar a trabalhar. Fiquei com esse desejo de compartilhar o texto, especialmente porque eu sei que existe um bocado... Continue Reading →

Onda

Quem mora ou já morou em cidade do interior sabe bem o esquema das ondas. Uma pessoa casa, cinco outros resolvem casar na mesma época; uma casa é assaltada, mais cinco encaram o ladrão em seguida… Pois é, estou exatamente no pico de uma onda agora: a dos bebês. Família, amigos, amigos dos amigos: todo... Continue Reading →

O silêncio de uma casa cheia

Se tem uma coisa que eu aprendi a gostar é do silêncio de uma casa cheia. Sabe aquele horário em que todo mundo já está dormindo e você dá uma geral na casa pra checar portas, cobertas, brinquedos que sobraram no chão? Eu aprendi a amá-lo. Às vezes me vejo sentada, morta de cansada, mas... Continue Reading →

Powered by WordPress.com.

Up ↑